Comportamentos estereotipados no autismo: quando intervir e quando respeitar?
Comportamentos estereotipados no autismo: quando intervir e quando respeitar?
Balançar o corpo, movimentar repetidamente as mãos, girar objetos, repetir sons ou frases, cantarolar e realizar determinados movimentos de maneira repetitiva são comportamentos frequentemente observados em pessoas autistas.
Esses comportamentos podem ser chamados de comportamentos estereotipados, estereotipias, comportamentos autoestimulatórios ou, em algumas comunidades, stimming.
Durante décadas, grande parte das intervenções comportamentais direcionou esforços para reduzir algumas dessas respostas. Entretanto, nos últimos anos, pessoas autistas, familiares, profissionais e representantes do movimento da neurodiversidade passaram a questionar uma questão fundamental:
Todo comportamento estereotipado precisa ser reduzido?
A resposta não deveria ser automática.
O artigo Um apelo à discussão sobre comportamento estereotipado, publicado por Leaf e colaboradores em 2022, propõe justamente ampliar esse debate. Os autores reconhecem tanto a literatura sobre intervenções comportamentais quanto as críticas apresentadas pela comunidade autista e defendem maior participação dos usuários na escolha dos objetivos, atenção à validade social e intervenções conduzidas com compaixão e cuidado.
A questão, portanto, não deveria ser simplesmente:
“Como diminuir a estereotipia?”
Antes disso, precisamos perguntar:
“Por que queremos modificá-la?”
O que são comportamentos estereotipados?
O artigo apresenta comportamentos estereotipados como respostas contínuas ou repetitivas que podem ocorrer com ou sem objetos e que, frequentemente, são mantidas por consequências não sociais.
Entre as topografias descritas na literatura estão:
balançar o corpo;
girar;
agitar ou bater as mãos;
repetir frases;
cantarolar;
manipular objetos repetidamente;
emitir determinados movimentos de maneira repetitiva.
Esses comportamentos são frequentemente observados no autismo e fazem parte da discussão sobre os padrões restritos e repetitivos presentes no transtorno.
Entretanto, identificar que um comportamento é repetitivo não significa que já conhecemos sua função.
E essa distinção é essencial.
Estereotipia não significa automaticamente “comportamento-problema”
Esse talvez seja um dos princípios mais importantes para famílias, professores e profissionais.
O simples fato de uma criança balançar as mãos, movimentar o corpo ou repetir determinados sons não é suficiente para justificar uma intervenção destinada a eliminar esse comportamento.
Os próprios autores afirmam de maneira enfática que analistas do comportamento não deveriam selecionar uma estereotipia como alvo apenas porque determinado comportamento parece excêntrico ou porque outras pessoas o consideram socialmente estranho. Também defendem maior aceitação das diferenças comportamentais pela sociedade.
Portanto, precisamos diferenciar:
um comportamento diferente
de
um comportamento que produz prejuízo relevante para a pessoa.
Nem tudo que é diferente precisa ser normalizado.
Nem tudo que chama atenção precisa desaparecer.
Mas algumas estereotipias podem produzir prejuízos?
Sim.
Esse é justamente o que torna essa discussão complexa.
Da mesma maneira que não devemos concluir que toda estereotipia precisa ser reduzida, também não podemos afirmar que todo comportamento estereotipado é sempre inofensivo.
O artigo apresenta estudos nos quais níveis de comportamento estereotipado estiveram associados a interferências em atividades como aprendizagem observacional, respostas a estímulos auditivos, tarefas acadêmicas, exploração do ambiente e desenvolvimento de determinadas habilidades lúdicas, sociais e adaptativas.
Mas isso precisa ser avaliado individualmente.
Imagine duas crianças que balançam as mãos.
A primeira apresenta esse comportamento durante momentos de alegria, continua interagindo com outras pessoas, realiza suas atividades, aprende normalmente e não apresenta risco.
A segunda permanece longos períodos envolvida em determinada resposta repetitiva durante atividades acadêmicas e, nesses momentos, deixa de responder às instruções e perde oportunidades importantes de aprendizagem.
A topografia pode parecer semelhante.
O impacto funcional não é.
Por isso, a pergunta adequada não é:
“Ele apresenta estereotipia?”
Mas:
“Qual o impacto desse comportamento na vida dele?”
Precisamos entender a função antes de intervir
A Análise do Comportamento procura compreender as relações entre o comportamento e as variáveis ambientais que participam de sua ocorrência e manutenção.
Embora muitas estereotipias possam ser mantidas por reforçamento automático, isso não deve ser presumido.
Segundo o artigo, algumas pesquisas também identificaram relações com contingências sociais ou com fuga e evitação de determinadas situações. Os autores destacam explicitamente que não se deve presumir a função do comportamento estereotipado e defendem avaliação funcional antes da elaboração de uma intervenção.
Essa orientação modifica completamente o planejamento.
Se uma criança começa a balançar o corpo intensamente diante de demandas escolares, por exemplo, simplesmente impedir o movimento pode não resolver o problema.
Precisamos investigar:
A tarefa está difícil?
Existe sobrecarga no ambiente?
O comportamento produz algum tipo de estimulação?
Existe tentativa de escapar da situação?
A criança está buscando regular-se?
O ambiente oferece poucas outras fontes de estimulação?
Existe relação com cansaço, espera ou ausência de atividades?
Intervir na forma do comportamento sem compreender sua função pode produzir uma intervenção pouco efetiva ou inadequada.
Estereotipia também pode funcionar como autorregulação?
Essa é uma das principais questões levantadas pela comunidade autista e pelo movimento da neurodiversidade.
O artigo reconhece relatos de pessoas autistas que descrevem o stimming como uma estratégia para lidar com estresse, emoções intensas ou sobrecarga sensorial.
Em um dos estudos discutidos, adultos autistas relataram que determinadas estereotipias auxiliavam no controle de excesso de emoção.
Essa experiência precisa ser ouvida e respeitada.
Ao mesmo tempo, os autores alertam para o risco de generalizar a experiência de algumas pessoas autistas para todas as pessoas autistas.
O autismo apresenta enorme heterogeneidade.
Uma determinada estereotipia pode:
ser regulatória para uma pessoa;
ser indiferente para outra;
interferir na aprendizagem de outra;
estar relacionada ao estresse em determinada situação;
ou apresentar funções diferentes em contextos diferentes.
Os autores enfatizam justamente que a experiência de uma ou mais pessoas não deve ser automaticamente generalizada para toda a população autista.
A palavra-chave novamente é:
individualização.
O autismo não é uma experiência única
Uma das recomendações mais relevantes do artigo é reconhecer que a população autista não é monolítica.
Existem pessoas autistas que consideram suas estereotipias uma parte importante de sua identidade.
Outras podem desejar aprender maneiras de controlar determinadas respostas em contextos específicos.
Há pessoas capazes de comunicar claramente suas preferências.
Outras apresentam grandes necessidades de apoio e dificuldades importantes para expressar verbalmente sua perspectiva.
Por isso, aquilo que apresenta validade social para uma pessoa pode não apresentar para outra.
O artigo ressalta que qualquer avaliação de validade social precisa sempre considerar:
“Socialmente válido para quem?”
Essa pergunta deveria fazer parte de toda intervenção.
O que é validade social?
Na Análise do Comportamento, não basta que determinado procedimento consiga modificar um comportamento.
Precisamos perguntar se:
o objetivo é importante;
o procedimento é aceitável;
e o resultado realmente melhora a vida da pessoa.
Isso é parte do conceito de validade social.
Segundo o artigo, pessoas autistas e seus cuidadores deveriam participar da tomada de decisão desde o início de qualquer intervenção relacionada aos comportamentos estereotipados.
Além disso, essa avaliação não deveria acontecer apenas no começo.
Os profissionais precisam verificar continuamente se o cliente e seus responsáveis continuam satisfeitos com os objetivos, procedimentos e resultados.
Uma família pode inicialmente considerar determinado comportamento prioritário.
Depois da avaliação, pode perceber que outro repertório é muito mais relevante.
Da mesma forma, uma criança pode apresentar sinais de desconforto com determinada intervenção.
O plano precisa ser revisto.
A intervenção deve buscar conformidade?
Segundo os autores, não.
Esse é outro ponto muito importante do documento.
Eles afirmam que o objetivo de reduzir comportamentos estereotipados e desenvolver alternativas funcionais não deveria ser produzir conformidade, mas ampliar repertórios e possibilidades de escolha.
Essa distinção é fundamental.
Uma intervenção não deveria existir simplesmente para fazer a criança:
“parecer menos autista”;
“ficar com as mãos quietas”;
“sentar igual aos outros”;
ou esconder comportamentos diferentes para satisfazer expectativas estéticas ou sociais dos adultos.
O objetivo clínico precisa ser funcional.
Então quando devemos considerar uma intervenção?
O próprio artigo oferece um raciocínio bastante útil.
Primeiro, precisamos avaliar se existe impacto negativo relevante na vida da pessoa.
Por exemplo:
o comportamento interfere de maneira significativa na aprendizagem?
reduz oportunidades importantes de interação?
impede a realização de atividades funcionais?
traz risco à segurança?
produz sofrimento?
está relacionado a respostas que podem provocar prejuízo físico?
impede o alcance de objetivos valorizados pela própria pessoa?
Quando existe impacto relevante, pode fazer sentido considerar uma intervenção.
Quando esse impacto não existe, a justificativa clínica para modificar o comportamento precisa ser questionada.
Os autores também apresentam um estudo no qual a necessidade de tratamento direto das estereotipias durante tarefas acadêmicas variou entre as crianças: para algumas, a intervenção foi necessária para melhorar o engajamento; para outras, não.
Esse resultado resume muito bem o princípio da individualização:
não existe uma regra universal.
A análise de risco-benefício precisa vir antes da intervenção
Outra recomendação central é realizar uma análise de risco e benefício.
Antes de tentar modificar uma estereotipia, profissionais e responsáveis precisam comparar:
Qual é o risco de não intervir?
O comportamento interfere na aprendizagem?
Existe risco físico?
Produz grande limitação funcional?
Compromete atividades importantes?
Qual é o risco de intervir?
A intervenção restringirá excessivamente a pessoa?
Existe sofrimento?
Estamos retirando uma estratégia de autorregulação sem oferecer alternativa?
Estamos tentando modificar uma característica apenas por pressão social?
A estratégia é mais intrusiva do que o necessário?
Qual benefício esperamos?
Mais autonomia?
Mais aprendizagem?
Maior acesso social?
Maior segurança?
Melhor qualidade de vida?
A análise de risco-benefício é apresentada pelos autores como uma parte essencial da decisão ética sobre comportamentos estereotipados.
Assentimento também importa
Quando trabalhamos com crianças, o consentimento formal normalmente é fornecido pelos responsáveis.
Mas isso não significa que os sinais da criança possam ser ignorados.
O artigo também discute a necessidade de compreender e acompanhar o assentimento.
Comportamentos como aproximação, afastamento e alterações na expressão ou no afeto podem fornecer informações sobre a disposição da pessoa em participar de determinada atividade ou intervenção.
Os autores defendem avanços na mensuração contínua desses comportamentos e ressaltam que as decisões sobre os comportamentos a serem abordados devem resultar de um processo colaborativo.
Portanto, consentimento dos responsáveis não deveria significar:
“Agora podemos fazer qualquer coisa.”
A intervenção precisa continuar observando a resposta da própria criança.
Ouvir pessoas autistas é parte da prática baseada em evidências
O artigo é explícito ao afirmar que as críticas da comunidade autista não devem ser ignoradas.
Os autores defendem que profissionais escutem com atenção e respeito as experiências e críticas relatadas por pessoas autistas.
Também reconhecem que práticas realizadas em nome da ABA podem ter violado a dignidade e a autonomia corporal de algumas pessoas e defendem que essas experiências sejam reconhecidas e que mudanças sejam realizadas para evitar sua repetição.
Esse reconhecimento é importante.
Uma ciência aplicada evolui quando consegue avaliar criticamente não apenas:
“A intervenção funciona?”
mas também:
“Como essa intervenção é vivenciada por quem a recebe?”
Escutar não significa generalizar
Ao mesmo tempo, os autores apresentam outro cuidado.
Precisamos ouvir pessoas autistas sem presumir que uma única experiência represente todas as demais.
As necessidades de uma pessoa autista verbalmente fluente, adulta e independente podem ser muito diferentes das necessidades de uma criança pequena com comunicação limitada e necessidades intensas de apoio.
Por isso, a recomendação do artigo é simultaneamente:
ouvir;
e
individualizar.
Os autores defendem que profissionais permaneçam abertos às diferentes perspectivas e reconheçam que a validade social precisa ser analisada em relação ao usuário real da intervenção e às pessoas diretamente envolvidas.
Ética, dignidade e compaixão precisam orientar as decisões
O artigo coloca a ética como sua primeira recomendação aos profissionais.
Entre os princípios destacados estão:
maximizar benefícios;
evitar danos;
agir com compaixão;
preservar dignidade;
respeitar o cliente;
trabalhar dentro da própria competência;
utilizar dados objetivos;
e incluir o cliente na escolha de objetivos sempre que possível.
Os autores defendem que intervenções relacionadas às estereotipias sejam construídas com salvaguardas para assegurar compaixão, dignidade e respeito.
Isso significa que não basta perguntar:
“Esse procedimento reduz o comportamento?”
Precisamos perguntar:
“É necessário?”
“É ético?”
“É o procedimento menos intrusivo possível?”
“A pessoa se beneficia?”
“Existem alternativas melhores?”
Quando a intervenção é necessária, o que pode ser feito?
O artigo descreve diferentes linhas de intervenção presentes na literatura comportamental.
De maneira ampla, elas podem envolver:
reduzir e substituir determinados comportamentos, aumentando respostas alternativas;
ou
modificar o controle de estímulos, permitindo maior diferenciação de contextos nos quais determinados comportamentos podem ocorrer.
Os autores também mencionam procedimentos relacionados a estímulos concorrentes e alternativas funcionalmente semelhantes.
Entretanto, o artigo não apresenta essas estratégias como uma receita para aplicação indiscriminada.
O ponto central permanece:
a função precisa ser avaliada e a necessidade de intervenção precisa ser justificada.
Algumas vezes, não é necessário eliminar: é possível ensinar escolha e contexto
Uma perspectiva especialmente interessante apresentada no documento é a possibilidade de ensinar a pessoa a diferenciar contextos.
Em determinadas pesquisas, indivíduos aprenderam condições nas quais determinados comportamentos repetitivos poderiam ocorrer e condições nas quais outras respostas seriam mais adequadas.
Essa abordagem pode ampliar a autonomia porque o objetivo não precisa ser eliminar completamente a estereotipia.
Pode ser ensinar:
quando determinado comportamento é possível;
quando outra resposta é mais funcional;
e como escolher entre diferentes alternativas.
Os autores discutem a possibilidade de desenvolver repertórios que permitam ao próprio indivíduo tomar decisões mais informadas sobre envolver-se ou não em comportamentos estereotipados em diferentes contextos.
Isso transforma o objetivo:
de controle
para autonomia.
Estratégias de enfrentamento também podem fazer parte do currículo
Se determinada estereotipia apresenta função relacionada à regulação diante de situações difíceis, simplesmente bloqueá-la pode retirar um recurso sem oferecer alternativa.
Por isso, o artigo recomenda também o desenvolvimento de habilidades adaptativas e funcionais de enfrentamento.
Os autores discutem que diferentes estratégias podem ser ensinadas e avaliadas de acordo com idade, contexto e características da pessoa, sempre preservando a possibilidade de escolha, especialmente para adultos.
A lógica é simples:
não basta retirar.
Precisamos ampliar repertórios.
Uma decisão clínica possível em cinco perguntas
A discussão apresentada no artigo pode ser transformada em cinco perguntas importantes antes de escolher uma estereotipia como alvo de intervenção:
1. Qual é a função desse comportamento?
Não presumir.
Avaliar.
2. Existe prejuízo funcional significativo?
Se não existe, precisamos perguntar por que queremos modificar o comportamento.
3. Para quem essa mudança é importante?
Para a própria pessoa?
Para a família?
Para a escola?
Ou apenas porque o comportamento parece diferente?
4. Quais são os riscos e benefícios da intervenção?
Inclusive os riscos de retirar uma possível estratégia de regulação.
5. Podemos ampliar repertórios em vez de simplesmente suprimir respostas?
Essa talvez seja uma das questões mais importantes.
O objetivo não deveria ser fazer o autista parecer menos autista
Comportamentos diferentes não deveriam ser automaticamente compreendidos como comportamentos inadequados.
Uma intervenção verdadeiramente individualizada precisa distinguir:
diferença
de
prejuízo.
Quando uma estereotipia não produz sofrimento, risco ou interferência relevante, a aceitação pode ser a melhor resposta.
Quando produz prejuízo funcional importante, uma avaliação cuidadosa pode justificar intervenção.
E, mesmo quando houver necessidade de intervir, a meta não deve ser apagar características pessoais.
O objetivo deve ser aumentar segurança, participação, comunicação, aprendizagem, autonomia, acesso social e qualidade de vida.
Antes de perguntar “como parar?”, pergunte “precisamos parar?”
Essa talvez seja a principal mensagem que podemos levar do artigo.
Durante muito tempo, diante de um comportamento repetitivo, a pergunta clínica poderia começar com:
“Como reduzir?”
Uma prática mais cuidadosa precisa começar antes:
“Precisamos reduzir?”
Depois:
“Qual é a função?”
“Existe prejuízo real?”
“O que a própria pessoa demonstra ou comunica?”
“O que a família observa?”
“Qual seria o benefício da mudança?”
“Existe uma alternativa menos intrusiva?”
E somente depois:
“Qual intervenção seria adequada?”
O artigo de Leaf e colaboradores não apresenta uma defesa simples da eliminação das estereotipias, nem sustenta que nenhuma delas deva ser modificada.
Seu principal convite é para uma discussão mais cuidadosa.
Os autores defendem que os profissionais continuem avaliando quando as intervenções são necessárias, utilizando pesquisa, preferência do cliente e dos responsáveis, consentimento, experiência profissional e análise individualizada. Também recomendam que a pesquisa continue investigando as diferentes funções das estereotipias e as melhores intervenções para diferentes contextos.
Talvez, portanto, o melhor princípio seja:
não normalizar a pessoa — ampliar suas possibilidades.
Respeitar quando o comportamento é apenas uma expressão de diferença.
Investigar quando existe dúvida.
E intervir, de maneira ética, compassiva e baseada em evidências, quando houver benefício funcional real para aquela pessoa.
Fonte principal de pesquisa
LEAF, Justin B.; CIHON, Joseph H.; JAVED, Asim; KLICK, Sheila; FERGUSON, Julia L.; MILNE, Christine; CREEM, Ashley; ARTHUR, Shannon; SAUNDERS, Melissa S.; OLIVE, Melissa L.; ROSS, Robert K.; LEAF, Ronald; McEACHIN, John. A Call for Discussion on Stereotypic Behavior. European Journal of Behavior Analysis, v. 23, n. 2, p. 156–180, 2022. DOI: 10.1080/15021149.2022.2112810.
Algumas das fontes discutidas no artigo-base
RAPP, J. T.; VOLLMER, T. R. Estudos sobre avaliação e tratamento de comportamentos estereotipados e suas funções, utilizados pelos autores como parte da fundamentação analítico-comportamental. A discussão do artigo destaca particularmente o reforçamento automático como uma função frequentemente identificada, sem considerá-lo universal.
KAPP, S. K. et al. Trabalhos e relatos relacionados às perspectivas de pessoas autistas sobre stimming, incluindo sua possível relação com emoções, regulação e identidade, são incorporados pelos autores como parte essencial do debate sobre neurodiversidade.
WOLF, M. M. (1978). Referência histórica utilizada na discussão sobre validade social, conceito central para avaliar a importância dos objetivos, a aceitabilidade das intervenções e a relevância dos resultados para seus usuários.
VAN HOUTEN et al. (1988). Trabalho citado pelos autores na discussão sobre o direito dos clientes a intervenções eficazes e voltadas ao bem-estar individual.
BANNERMAN et al. (1990). Referência utilizada para discutir o equilíbrio entre desenvolvimento de habilidades, tratamento eficaz e preservação das liberdades individuais.
COOK; RAPP (2020). Estudo discutido no artigo por demonstrar que a necessidade de intervenção direta sobre estereotipias durante tarefas acadêmicas variou entre participantes, reforçando a importância da avaliação individualizada.
Nota de estudo: Este artigo-base possui caráter predominantemente argumentativo e de discussão. Ele reúne literatura analítico-comportamental, críticas de representantes da neurodiversidade e da comunidade autista e recomendações éticas propostas pelos próprios autores. Portanto, suas recomendações devem ser compreendidas dentro desse contexto e não como um protocolo único de intervenção.